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07/05/2008

 

"Brucelose Canina


A brucelose é uma doença infecto-contagiosa, causada pelas bactérias do gênero Brucella. É classificada como uma zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida ao homem pelo contato com animais e seus derivados – como carne, leite e queijo.

Entre as espécies de Brucella que podem ser transmitidas ao homem, temos:

• A Brucella melitensis, encontrada nas cabras, ovelhas e camelos – exótica ao Brasil;
• A Brucella abortus, dos bovinos;
• A Brucella suis, do porco;
• A Brucella canis, dos cães.

A Brucella neotomae, dos roedores, e a Brucella ovis, das ovelhas, somente infectam os animais e não constituem zoonoses.
Os cães também podem ser acometidos por outras espécies de Brucella, como: Brucella abortus, Brucella suis e Brucella melitensis, no entanto, tais casos são raros.

Uma importante forma de transmissão da doença entre os cães é o ato sexual, pois o sêmen e as secreções vaginais de animais infectados contêm uma grande quantidade de bactérias. Outra forma de transmissão importante é a ingestão, ou inalação de materiais provenientes do resultado de abortos e secreções de abortamentos. Existem ainda relatos de transmissão por meio de objetos contaminados, tais como vaginoscópios, seringas contaminadas, transfusão sangüínea e inseminação artificial. Os filhotes podem ser contaminados ainda dentro do útero ou pelo leite da cadela portadora de brucelose.

Em cães adultos, a infecção por Brucella canis não promove alterações clínicas evidentes. O sinal mais evidente da brucelose é o aborto entre 45 e 59 dias de gestação (terço final da gestação). Após o abortamento, a fêmea apresenta descarga vaginal sanguinolenta ou esverdeada durante uma a seis semanas. Embora o aborto no terço final seja a forma clássica, a interrupção da gestação pode ocorrer em qualquer fase, inclusive morte embrionária precoce. Desta forma, há queixa de infertilidade, pois a perda embrionária é imperceptível para o proprietário da fêmea. Quando a gestação progride até o final, os filhotes podem nascer fracos ou malformados e morrerem em pouco tempo.

Nos machos, nas fases iniciais da doença é possível observar inchaço e problemas de dermatite na bolsa escrotal. Em casos crônicos, os testículos atrofiam-se. Desta forma, o sinal mais evidente em machos infectados é a infertilidade.

O diagnóstico é feito através de sorologia, principalmente de material vaginal, mas também do sangue, leite ou sêmen dos cães infectados, embora não exista o teste específico para Brucella canis, e resultados falso-positivos podem ocorrer.

Quando houver suspeita de infecção por Brucella canis em um canil, algumas medidas devem ser tomadas prontamente e de forma agressiva:

• Confirmar o diagnóstico por métodos que se ajustem ao caso em questão. Se houver manifestações clínicas, deve-se enviar material deste animal para cultura e isolamento do agente. Caso a doença seja confirmada em pelo menos um animal da propriedade, será preciso testar todos os outros por métodos sorológicos. A escolha do método de diagnóstico a ser empregado está na dependência do tempo de infecção, pois animais infectados por menos de quatro a oito semanas podem apresentar resultados falso-negativo;

• Promover isolamento e quarentena dos animais da propriedade. Nenhum animal deve ser introduzido ao plantel durante o período em que a fonte de infecção e a via de transmissão estão sendo investigadas. Ainda, não se deve transportar animais desta propriedade para fora do local;

• Determinar a fonte de infecção, que não necessariamente é o animal que apresenta sintomas clínicos de brucelose. Neste sentido, é de extrema importância que todos os animais do plantel sejam testados sorologicamente, iniciando-se por animais que apresentarem contato mais próximo com o cão suspeito;

• Eliminar o modo de transmissão. Quando um surto de brucelose ocorre em uma propriedade, todas as vias de transmissão devem ser consideradas, principalmente os materiais que sabidamente contêm maior número de bactérias, tais como: secreção vaginal de fêmeas que abortaram, material abortado e sêmen e urina de machos infectados. Porém, vias clássicas de transmissão não devem ser descartadas como, por exemplo, via oral, objetos infectados, entre outras;

• Desinfetar o local e materiais. Sabe-se que a bactéria não sobrevive à ação de amônia. Entretanto, é preciso oferecer especial atenção aos funcionários do canil que cuidam dos animais, em função do potencial de zoonose da doença e, ainda, de poderem funcionar como fontes de infecção. Assim, cuidados na manipulação dos animais e higiene rigorosa do canil devem ser aplicados. Assim que os animais positivos forem identificados, é preciso isolá-los com urgência. Os testes sorológicos devem ser conduzidos mensalmente até que a infecção seja completamente eliminada, ou seja, até o momento em que três testes sorológicos consecutivos resultarem negativos para cada animal da propriedade. Sempre se deve levar em conta que os animais podem eventualmente estar em diferentes estágios da doença, o que significa que alguns testes sorológicos podem apresentar resultados falso-negativo. Se a propriedade possuir estrutura adequada para o isolamento dos animais, testes sorológicos bianuais ou a cada quatro meses são suficientes para procedimentos de erradicação da doença. Deve-se salientar que, para fins de erradicação, a identificação e eliminação dos animais positivos é o único método eficiente em canis, pois medidas sanitárias estritas e terapia com antibióticos não evitam a transmissão para animais não infectados;

• Iniciar práticas de controle que minimizem a possibilidade de contaminação futura. Até os dias de hoje não foi desenvolvida uma vacina para Brucella canis. Desta forma, práticas adequadas de manejo são de fundamental importância para o controle da doença em canis. As propriedades de cães devem sempre adotar medidas de quarentena para animais vindos de fora, seja para incorporação ao plantel, seja para acasalamento. Nestes casos, é preciso que se exijam testes sorológicos de animais vindos de outros canis para acasalamento. Animais introduzidos ao plantel devem ser testados seqüencialmente pelo menos duas vezes com intervalo de 30 dias entre os testes. Cães selecionados para reprodução devem ser testados sempre ao preceder um acasalamento. O canil não deve aceitar em qualquer hipótese a introdução de um animal em sua propriedade com sintomas clínicos da doença (incluindo fertilidade desconhecida). Cães pertencentes ao canil, mas que temporariamente estiveram fora devem ser avaliados sorologicamente antes de serem reintroduzidos ao plantel. Recomenda-se testar todos os animais do plantel anualmente, ou quando surgem problemas como abortamentos ou falhas reprodutivas.


“Texto gentilmente fornecido por Thais Rodrigues dos Santos”