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A brucelose é uma doença infecto-contagiosa, causada pelas
bactérias do gênero Brucella. É classificada como uma
zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida ao
homem pelo contato com animais e seus derivados – como
carne, leite e queijo.
Entre as espécies de Brucella que podem ser transmitidas ao
homem, temos:
• A Brucella melitensis, encontrada nas cabras, ovelhas e
camelos – exótica ao Brasil;
• A Brucella abortus, dos bovinos;
• A Brucella suis, do porco;
• A Brucella canis, dos cães.
A Brucella neotomae, dos roedores, e a Brucella ovis, das
ovelhas, somente infectam os animais e não constituem
zoonoses.
Os cães também podem ser acometidos por outras espécies de
Brucella, como: Brucella abortus, Brucella suis e Brucella
melitensis, no entanto, tais casos são raros.
Uma importante forma de transmissão da doença entre os cães
é o ato sexual, pois o sêmen e as secreções vaginais de
animais infectados contêm uma grande quantidade de
bactérias. Outra forma de transmissão importante é a
ingestão, ou inalação de materiais provenientes do resultado
de abortos e secreções de abortamentos. Existem ainda
relatos de transmissão por meio de objetos contaminados,
tais como vaginoscópios, seringas contaminadas, transfusão
sangüínea e inseminação artificial. Os filhotes podem ser
contaminados ainda dentro do útero ou pelo leite da cadela
portadora de brucelose.
Em cães adultos, a infecção por Brucella canis não promove
alterações clínicas evidentes. O sinal mais evidente da
brucelose é o aborto entre 45 e 59 dias de gestação (terço
final da gestação). Após o abortamento, a fêmea apresenta
descarga vaginal sanguinolenta ou esverdeada durante uma a
seis semanas. Embora o aborto no terço final seja a forma
clássica, a interrupção da gestação pode ocorrer em qualquer
fase, inclusive morte embrionária precoce. Desta forma, há
queixa de infertilidade, pois a perda embrionária é
imperceptível para o proprietário da fêmea. Quando a
gestação progride até o final, os filhotes podem nascer
fracos ou malformados e morrerem em pouco tempo.
Nos machos, nas fases iniciais da doença é possível observar
inchaço e problemas de dermatite na bolsa escrotal. Em casos
crônicos, os testículos atrofiam-se. Desta forma, o sinal
mais evidente em machos infectados é a infertilidade.
O diagnóstico é feito através de sorologia, principalmente
de material vaginal, mas também do sangue, leite ou sêmen
dos cães infectados, embora não exista o teste específico
para Brucella canis, e resultados falso-positivos podem
ocorrer.
Quando houver suspeita de infecção por Brucella canis em um
canil, algumas medidas devem ser tomadas prontamente e de
forma agressiva:
• Confirmar o diagnóstico por métodos que se ajustem ao caso
em questão. Se houver manifestações clínicas, deve-se enviar
material deste animal para cultura e isolamento do agente.
Caso a doença seja confirmada em pelo menos um animal da
propriedade, será preciso testar todos os outros por métodos
sorológicos. A escolha do método de diagnóstico a ser
empregado está na dependência do tempo de infecção, pois
animais infectados por menos de quatro a oito semanas podem
apresentar resultados falso-negativo;
• Promover isolamento e quarentena dos animais da
propriedade. Nenhum animal deve ser introduzido ao plantel
durante o período em que a fonte de infecção e a via de
transmissão estão sendo investigadas. Ainda, não se deve
transportar animais desta propriedade para fora do local;
• Determinar a fonte de infecção, que não necessariamente é
o animal que apresenta sintomas clínicos de brucelose. Neste
sentido, é de extrema importância que todos os animais do
plantel sejam testados sorologicamente, iniciando-se por
animais que apresentarem contato mais próximo com o cão
suspeito;
• Eliminar o modo de transmissão. Quando um surto de
brucelose ocorre em uma propriedade, todas as vias de
transmissão devem ser consideradas, principalmente os
materiais que sabidamente contêm maior número de bactérias,
tais como: secreção vaginal de fêmeas que abortaram,
material abortado e sêmen e urina de machos infectados.
Porém, vias clássicas de transmissão não devem ser
descartadas como, por exemplo, via oral, objetos infectados,
entre outras;
• Desinfetar o local e materiais. Sabe-se que a bactéria não
sobrevive à ação de amônia. Entretanto, é preciso oferecer
especial atenção aos funcionários do canil que cuidam dos
animais, em função do potencial de zoonose da doença e,
ainda, de poderem funcionar como fontes de infecção. Assim,
cuidados na manipulação dos animais e higiene rigorosa do
canil devem ser aplicados. Assim que os animais positivos
forem identificados, é preciso isolá-los com urgência. Os
testes sorológicos devem ser conduzidos mensalmente até que
a infecção seja completamente eliminada, ou seja, até o
momento em que três testes sorológicos consecutivos
resultarem negativos para cada animal da propriedade. Sempre
se deve levar em conta que os animais podem eventualmente
estar em diferentes estágios da doença, o que significa que
alguns testes sorológicos podem apresentar resultados
falso-negativo. Se a propriedade possuir estrutura adequada
para o isolamento dos animais, testes sorológicos bianuais
ou a cada quatro meses são suficientes para procedimentos de
erradicação da doença. Deve-se salientar que, para fins de
erradicação, a identificação e eliminação dos animais
positivos é o único método eficiente em canis, pois medidas
sanitárias estritas e terapia com antibióticos não evitam a
transmissão para animais não infectados;
• Iniciar práticas de controle que minimizem a possibilidade
de contaminação futura. Até os dias de hoje não foi
desenvolvida uma vacina para Brucella canis. Desta forma,
práticas adequadas de manejo são de fundamental importância
para o controle da doença em canis. As propriedades de cães
devem sempre adotar medidas de quarentena para animais
vindos de fora, seja para incorporação ao plantel, seja para
acasalamento. Nestes casos, é preciso que se exijam testes
sorológicos de animais vindos de outros canis para
acasalamento. Animais introduzidos ao plantel devem ser
testados seqüencialmente pelo menos duas vezes com intervalo
de 30 dias entre os testes. Cães selecionados para
reprodução devem ser testados sempre ao preceder um
acasalamento. O canil não deve aceitar em qualquer hipótese
a introdução de um animal em sua propriedade com sintomas
clínicos da doença (incluindo fertilidade desconhecida).
Cães pertencentes ao canil, mas que temporariamente
estiveram fora devem ser avaliados sorologicamente antes de
serem reintroduzidos ao plantel. Recomenda-se testar todos
os animais do plantel anualmente, ou quando surgem problemas
como abortamentos ou falhas reprodutivas.
“Texto gentilmente fornecido por Thais Rodrigues dos Santos”
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